A fronteira de Rondônia é uma das regiões mais desafiadoras da Amazônia brasileira, com uma extensa faixa de 1.342 quilômetros com a Bolívia, compreendendo municípios, distritos, comunidades rurais e regiões ribeirinhas cortadas pelos rios Guaporé, Mamoré e Madeira. E é nesse cenário que, desde novembro de 2019, entrou em operação o Batalhão de Polícia de Fronteira e Divisas (BPFron), unidade especializada da Polícia Militar do Estado de Rondônia (PMRO), criado pelo governo do estado.
A sede da unidade está instalada em Nova Mutum Paraná, distrito de Porto Velho, ponto considerado estratégico para o deslocamento rápido de equipes e coordenação das operações. Por lá é feito o policiamento direto na linha internacional Brasil-Bolívia e ações contra o tráfico transfronteiriço.
Para garantir maior cobertura territorial e rapidez nas respostas, o governo de Rondônia ampliou a estrutura do batalhão com mais uma base operacional em ponto estratégico. A unidade de Nova Brasilândia d’Oeste, implantada em 2023, fortalece o controle de corredores logísticos do crime na Zona da Mata e amplia a interiorização das ações do BPFron. Juntas, as duas bases, garantem apoio logístico, mobilidade das equipes e maior capacidade de reação em áreas sensíveis.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a presença do BPFron na zona fronteiriça amplia a capacidade de resposta contra crimes ambientais, tráfico internacional e organizações criminosas, promovendo mais proteção às famílias rondonienses.
TECNOLOGIA MODERNA
O BPFron emprega drones com sensores térmicos, equipamentos de visão noturna, sistemas de georreferenciamento, armamentos de menor potencial ofensivo, como armas de choque modelo X2, e modernos sistemas de comunicação tática. Esses recursos elevam a eficiência das equipes em operações noturnas, patrulhamento rural, monitoramento de áreas de mata e incursões em regiões de difícil acesso.
CAPACITAÇÃO ESPECIALIZADA
Os policiais participam constantemente de cursos especializados voltados ao policiamento de fronteira, patrulhamento fluvial, operações em selva, abordagem rural, inteligência policial e enfrentamento ao crime organizado. Entre os avanços recentes, destaca-se a realização do Curso de Operador de Máquinas Pesadas, permitindo apoio em ações de desobstrução de vias clandestinas em operações contra crimes ambientais.
O comandante do BPFron, major PM Felipe Santos das Chagas, explicou que a tropa adentra terrenos difíceis com tecnologia de ponta e ações integradas, fazendo do batalhão uma força estratégica no enfrentamento ao crime organizado e defesa da fronteira. ‘‘Há um patrulhamento constante nas matas e nos rios, com uma tropa especializada na atuação em cenários difíceis. E, se a geografia é um desafio, os treinamentos e as tecnologias nivelam o jogo. Entramos em cena e desarticulamos a logística do crime organizado”, enfatizou.
RESULTADOS EXPRESSIVOS
Nos últimos anos, o BPfron contabilizou um prejuízo superior a R$ 286,5 milhões referente ao crime, resultado de ações ostensivas e repressivas em toda a faixa de fronteira.
Também foram registrados:
437 veículos recuperados;
108 armas de fogo apreendidas;
580 prisões efetuadas;
Mais de 12,6 toneladas de entorpecentes retirados de circulação.
INTEGRAÇÃO ENTRE FORÇAS
Outro diferencial do BPFron é a atuação integrada com instituições estaduais e federais. A unidade participa de grandes operações, como: Protetor das Divisas e Fronteiras, Hórus, Guardiões, Iara, Protetor dos Biomas e Dominus.
As ações conjuntas envolvem parcerias com a Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Exército Brasileiro, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), ampliando a capacidade de resposta contra crimes ambientais, tráfico internacional e organizações criminosas.


