Apontado como uma das principais lideranças do crime organizado no Espírito Santo, o traficante Cleuton Gomes Pereira, conhecido como “Frajola”, foi transferido para o sistema penitenciário federal em Rondônia. A remoção ocorreu após investigações indicarem que ele continuava articulando ações criminosas mesmo encarcerado.
O detento estava preso desde 2017 em uma unidade de segurança máxima no município de Viana (ES), mas, segundo apurações do Ministério Público, mantinha forte influência sobre a facção que lidera, o chamado Primeiro Comando de Vitória (PCV). Mesmo atrás das grades, ele teria ordenado ataques armados em bairros da Grande Vitória, especialmente na região de Vila Velha.
Ordens partiam de dentro da cadeia
As investigações revelaram que o criminoso utilizava intermediários para transmitir ordens. Recados eram repassados principalmente por meio de visitas, com o uso de bilhetes — prática conhecida no meio criminoso — garantindo a continuidade das atividades da facção fora da prisão.
A apuração também identificou a participação de terceiros no esquema, incluindo advogados e agentes públicos, suspeitos de facilitar a comunicação entre o preso e integrantes da organização criminosa em liberdade.
Transferência busca cortar comando do crime
Diante da gravidade do caso, o Ministério Público do Espírito Santo solicitou a transferência do detento para um presídio federal, medida autorizada pela Justiça. O objetivo é interromper a atuação do líder dentro do sistema prisional estadual, dificultando o envio de ordens e enfraquecendo a estrutura da facção.
Agora, o criminoso passa a cumprir pena na penitenciária federal de Porto Velho, considerada de segurança máxima, onde o controle sobre a comunicação dos internos é mais rigoroso.
Condenação e cenário de violência
Condenado a mais de 50 anos de prisão, “Frajola” é apontado como peça-chave em uma disputa violenta entre grupos criminosos no Espírito Santo. Nos últimos meses, a região tem registrado uma sequência de ataques e homicídios ligados à guerra entre facções rivais.
As autoridades acreditam que a transferência pode reduzir a influência direta do criminoso nas ruas, embora o cenário ainda seja considerado delicado devido à atuação de outros integrantes da organização.



