A morte de um bebê de apenas quatro meses está sendo investigada pela Polícia Civil após uma suposta falha durante o atendimento hospitalar em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Miguel Ângelo Barbosa morreu na madrugada de terça-feira (20), depois que, segundo familiares, o leite destinado à sua alimentação foi administrado pelo acesso venoso utilizado para receber soro e medicamentos.

A criança estava internada no Hospital Memorial de Goiana, unidade particular onde recebia tratamento desde o dia 11 de outubro. Em nota, o hospital informou que afastou imediatamente a profissional envolvida no episódio e que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.
Miguel Ângelo foi encaminhado ao hospital após receber atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Igarassu, onde deu entrada com dificuldades respiratórias. Após a transferência, foi diagnosticado com bronquiolite.
Durante a internação, o bebê recebia medicamentos e soro por meio de um acesso venoso instalado no pescoço. A alimentação era fornecida separadamente, por uma sonda nasogástrica conectada a uma bomba responsável pela administração do leite.
Como a mãe da criança se recuperava de uma cirurgia de apendicite, quem acompanhava Miguel no hospital era a tia paterna, Meyre Gabriela da Silva.

Tia relata momento em que percebeu o problema
Em relato ao g1, Meyre afirmou que foi ao banheiro por volta das 4h, enquanto o sobrinho dormia. Ao retornar, cobriu novamente o bebê por causa do frio e se sentou em uma cadeira. Pouco depois, percebeu que a criança apresentava sinais graves de alteração.
Segundo a tia, Miguel começou a chorar, emitiu um som estranho, ficou arroxeado e aparentava perder a consciência. Ao acender a luz, ela percebeu que havia algo errado na conexão dos tubos.
Meyre também afirmou que os dispositivos utilizados para a alimentação e para a administração de medicamentos eram diferentes, tanto na posição quanto na identificação visual. De acordo com ela, a profissional envolvida já havia realizado os procedimentos anteriormente, em outros plantões, sem que o mesmo problema fosse percebido.
Ainda conforme o relato da familiar, a equipe médica foi chamada imediatamente e iniciou os procedimentos para tentar salvar o bebê. As tentativas de reanimação teriam durado mais de uma hora, mas Miguel Ângelo não resistiu.
A tia afirmou que questionou a profissional de saúde sobre a conexão dos tubos e que ela teria reconhecido ter colocado o leite no acesso destinado à medicação. Meyre, no entanto, contestou a versão de que a bomba de alimentação não estaria ligada e declarou que o equipamento estava funcionando.
A familiar também alegou que a profissional deixou o local quando percebeu que o bebê não respondia às tentativas de reanimação. Essas circunstâncias fazem parte do relato da família e deverão ser esclarecidas durante a investigação policial.
Em comunicado, o Hospital Memorial de Goiana lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade aos pais e demais familiares de Miguel Ângelo.
A unidade informou que determinou o afastamento imediato da colaboradora envolvida e acionou o grupo responsável pela segurança do paciente para apurar as circunstâncias do episódio.
O hospital também declarou que, ao longo de mais de 30 anos de funcionamento, sempre buscou seguir as boas práticas da medicina e afirmou estar à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
Segundo os familiares, a instituição forneceu à polícia o nome da profissional envolvida no atendimento.
A ocorrência está sob investigação da 44ª Delegacia Circunscricional de Goiana e é apurada como homicídio. A causa da morte deverá ser esclarecida pelos exames realizados após o falecimento.
O corpo do bebê foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) e liberado após os procedimentos periciais. Miguel Ângelo foi sepultado na quinta-feira (22).
De acordo com a família, os resultados dos exames que poderão determinar a causa da morte devem ser divulgados em até 30 dias.


