Duas brasileiras procuraram a Embaixada do Brasil na Polônia após serem expostas nas redes sociais pelo eurodeputado Dominik Tarczyński. O parlamentar publicou imagens das mulheres e pediu informações sobre a identidade delas depois que ambas demonstraram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a votação do primeiro turno das eleições brasileiras no exterior, realizada no domingo (4).
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, as cidadãs comunicaram o episódio à representação diplomática brasileira em Varsóvia. Em resposta, o Itamaraty informou que o setor consular da embaixada se colocou à disposição para prestar assistência, caso necessário.
A repercussão começou na segunda-feira (5), quando Tarczyński divulgou, na rede social X, uma fotografia das duas mulheres em frente à embaixada brasileira na capital polonesa. Na imagem, elas aparecem fazendo com as mãos o gesto em formato de “L”, associado a Lula. Uma delas usava um broche com a estrela do Partido dos Trabalhadores, enquanto a outra vestia um boné vermelho.

Na publicação, o parlamentar solicitou que seus seguidores enviassem informações sobre as brasileiras por mensagem privada e classificou o pedido como urgente. Segundo as informações divulgadas, ele também ameaçou deportá-las, alegando que a legislação polonesa proíbe a promoção do comunismo.
A abordagem provocou preocupação por envolver a exposição pública de duas cidadãs em razão de manifestações políticas. Os acessórios utilizados por elas, conforme a reportagem original, não faziam referência direta à ideologia comunista.

Ligação com Flávio Bolsonaro
Dominik Tarczyński integra o Parlamento Europeu desde 2020 e é conhecido por defender posições políticas de direita, incluindo medidas mais rigorosas contra a imigração.
O eurodeputado também mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro (PL). Após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras, ele parabenizou o candidato e publicou uma mensagem na qual afirmou que o Brasil estaria próximo de se livrar dos comunistas.
O caso levou as duas brasileiras a buscar apoio consular do governo brasileiro, enquanto o Itamaraty confirmou que recebeu a comunicação e disponibilizou assistência por meio da Embaixada em Varsóvia.

