segunda-feira, 20 de julho de 2026
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Caso Helena: 6 médicos viram indícios de violência; perícia descartou

Em 20/07/2026 às 10:56 ⚬ Por Metrópoles

Seis médicos que fizeram o primeiro atendimento da bebê Helena constataram que a menina, que morreu aos 10 meses, tinha sinais compatíveis com violência sexual, hipótese que foi descartada posteriormente pela perícia da Polícia Civil do Ceará.

A história de Helena que morreu em 13 de julho ganhou repercussão nacional após a prisão de dois suspeitos. Políticos, delegados, influenciadores e artistas se comoveram com o óbito da menina em um hospital particular em Fortaleza (CE).

Na unidade de saúde, seis médicos — quatro emergencistas pediátricos e dois cardiologistas — identificaram lesões nas partes íntimas da criança durante o atendimento. A avaliação clínica inicial levantou a suspeita de asfixia associada a indícios de violência sexual, o que levou ao acionamento da Polícia Civil.

Em nota, a Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) explicou as razões que levaram à prisão de duas pessoas.

“As prisões em flagrante dos dois homens, de 22 e 26 anos, foram baseadas na apresentação do Protocolo de Encaminhamento de Corpos das Unidades de Saúde para a Coordenadoria de Medicina Legal da Pefoce”, diz a nota da SSPDS-CE.

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“O documento, produzido pelo hospital particular para onde a bebê foi levada e no qual constava a informação de que a criança havia sido assistida por quatro médicos de emergência pediátrica, além de dois cardiologistas, apontava que após o óbito foi evidenciada laceração anal, e ao final, a indicação de suspeita de óbito por asfixia e abuso sexual”, informou.

Na última sexta-feira (17/7), os exames da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluíram que a criança morreu em decorrência de asfixia mecânica indireta e descartaram a ocorrência de violência sexual.

Com base nos laudos periciais, a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) reclassificou a investigação para homicídio culposo. O caso segue em apuração.

As investigações resultaram na prisão de Francisco Ray Magalhães, de 22 anos, apontado como “ficante” de Ysabelle, e de seu primo, Roberto Levy Magalhães, de 26 anos. Os dois tiveram as prisões convertidas em preventivas e seguem detidos.

Em nota, após a prisão de Francisco Ray, a defesa dele afirmou que o cliente “não estava no mesmo quarto em que a criança dormia”. A advogada Gleicy Kelly Leitão informou ainda que ele se submeteu voluntariamente à coleta de material genético.

A coluna Na Mira tenta localizar defesa de Roberto Levy e Erisvaldo Almeida. O espaço segue aberto para posicionamentos.

Caso Helena: 6 médicos viram indícios de violência; perícia descartou

Ameaças e publicações envolvendo facções

Após a morte da bebê Helena, e a divulgação dos laudos periciais que descartaram violência sexual, a defesa da mãe da criança, Ysabelle Rodrigues, obteve medidas protetivas de urgência na Justiça do Ceará para proteger a mulher de pessoas que a ameaçaram ou atacaram, entre elas o pai da criança.

Helena morreu aos 10 mesesA mãe de bebê morta postou um desabafo nas redes sociais: “Só você sabe o quanto eu te amava”

Em nota publicada nas redes sociais, o advogado Weryd de Simões informou que a decisão do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) foi fundamentada em elementos dos autos que apontam violências física, psicológica, moral e patrimonial sofridas por Ysabelle, além de mencionar ameaças, ataques nas redes sociais e publicações envolvendo facções criminosas no Ceará.

Segundo a defesa de Ysabelle Rodrigues, a decisão judicial foi concedida diante dos elementos reunidos no processo. Em nota, a defesa afirma que a decisão representa o encerramento de um longo ciclo de violência vivenciado pela mãe de Helena.

“A decisão representa um marco no encerramento de um longo ciclo de violência imposto à mãe da pequena Helena. Durante anos, ela foi submetida a agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, culminando na mais devastadora das tragédias: a perda de sua filha e a imposição de um luto irreparável”, apontou Weryd de Simões.

O advogado também sustenta que o histórico criminal do pai da bebê, registrado desde 2016, aliado aos elementos presentes nos autos, demonstraria um padrão reiterado de violência e intimidação.

Caso Helena: 6 médicos viram indícios de violência; perícia descartou

Pai responsabiliza mãe

Também nessa sexta-feira (17/7), Erisvaldo Almeida, pai de Helena, publicou uma “carta aberta” nas redes sociais responsabilizando Ysabelle Rodrigues pela morte da filha. Na publicação, ele afirmou estar com o “coração despedaçado” e declarou que a bebê estava sob os cuidados da mãe no momento dos fatos.

Segundo Erisvaldo, Ysabelle teria levado Helena para uma confraternização onde havia consumo de bebidas alcoólicas. “Minha filha estava na responsabilidade dela. Minha filha tinha apenas 10 meses. Ysabelle levou minha filha para um ambiente onde só tinha pessoas alcoolizadas”, escreveu.

O pai também afirmou que a bebê foi deixada sozinha em um quarto enquanto a mãe permanecia na sala do apartamento.

Entenda o caso

Helena morreu em 13 de julho, após ser levada pela mãe a um hospital particular de Fortaleza.
No hospital, seis médicos acionaram a Polícia Civil do Ceará após constatarem indícios de violência sexual – situação que foi descartada pela perícia nessa sexta-feira (17/7).
Após a morte de Helena, Ysabelle disse em depoimento que percebeu que a filha passava mal durante uma confraternização em um apartamento e acreditou que a bebê estivesse engasgada.
Com a violência sexual descartada e confirmada a morte por asfixia mecânica, a investigação passou a apurar o caso como homicídio culposo.
Francisco Ray Magalhães, apontado como “ficante” da mãe, e Roberto Levy Magalhães, primo dele, foram presos no dia dos fatos e seguem em prisão preventiva.

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