A entrada da empresa Sistemma Serviços Urbanos na coleta de resíduos sólidos de Porto Velho, à meia-noite da última quarta-feira (22), deveria marcar um novo capítulo para a limpeza urbana da capital. No entanto, o início das operações foi acompanhado mais por críticas à gestão anterior do que por demonstrações concretas de eficiência.
Em suas primeiras manifestações públicas, a Sistemma direcionou o foco para apontar problemas herdados do Consórcio Eco Porto. A empresa alegou ter encontrado um cenário desfavorável, classificando o ambiente como “não amistoso” e destacando o que chamou de acúmulo significativo de lixo em diversos pontos da cidade.
Além disso, a nova responsável pelo serviço afirmou que equipes realizaram diligências e identificaram situações que, segundo a empresa, indicariam uma possível tentativa de “sabotagem” à nova operação. Entre os exemplos citados, está a região do Baixo Madeira, que, de acordo com a Sistemma, estaria há quatro dias sem coleta regular.
A postura, no entanto, tem gerado questionamentos. Para parte da população, o discurso inicial da empresa soa como uma tentativa de antecipar justificativas para eventuais falhas no serviço, antes mesmo de apresentar resultados práticos.

Ao assumir um contrato de tamanha relevância, espera-se que a nova prestadora concentre esforços em soluções imediatas, organização logística e melhoria visível na coleta — especialmente em uma cidade que historicamente enfrenta desafios com resíduos sólidos. Porém, até o momento, a comunicação da Sistemma tem priorizado a exposição de problemas anteriores, sem detalhar claramente quais medidas serão adotadas para superá-los.
A preocupação que surge é direta: ao enfatizar erros do passado, a empresa pode acabar desviando o foco do que realmente importa agora — entregar um serviço eficiente e regular à população. Caso não consiga atender às demandas, o risco é que a narrativa de dificuldades herdadas se transforme em argumento recorrente, transferindo responsabilidades em vez de resolvê-las.



