terça-feira, 21 de abril de 2026
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ABSURDO – Motorista é mandado seguir viagem com pneu murcho por falta de assistência da Nova 364

Em 21/04/2026 às 22:08 ⚬ Por Lente Nervosa

A promessa de modernização e melhoria na BR-364, em Rondônia, parece não resistir ao primeiro teste real de quem depende da estrada. Mesmo com tarifas consideradas entre as mais caras do país, a concessionária Nova 364 volta a ser alvo de críticas após um episódio que escancara a precariedade dos serviços básicos oferecidos aos usuários.

Um motorista que trafegava pela rodovia sentido Candeias – Porto Velho, percebeu que um dos pneus do carro estava murcho e decidiu parar em um dos pontos de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), estrutura que, em tese, deveria oferecer suporte emergencial. No entanto, o que encontrou foi o oposto do esperado: ao buscar um simples calibrador de pneus, foi informado por um funcionário de que o equipamento não existe no ponto de apoio.

A orientação recebida beira o absurdo. O trabalhador sugeriu que o motorista seguisse viagem até um posto de combustíveis mais à frente e, de forma ainda mais preocupante, resumiu o conselho em um “vai na fé”. Na prática, o condutor foi incentivado a continuar dirigindo com um pneu em condições inadequadas, durante a noite, em um trecho conhecido pela escuridão, sinalização deficiente e alto índice de acidentes.

A situação piora quando se observa a realidade enfrentada pelo motorista. O primeiro posto disponível surgiu apenas cerca de 10 quilômetros adiante, nas proximidades da entrada do Bairro Novo — e, para sua surpresa, o calibrador estava quebrado. A solução só veio aproximadamente 14 quilômetros depois do ponto de apoio da concessionária, quando finalmente encontrou um local com equipamento funcionando.

O episódio levanta um questionamento inevitável: qual é, de fato, a função dos pontos de apoio da Nova 364? Atualmente, muitos desses locais contam apenas com uma ambulância — que, segundo relatos frequentes de usuários, raramente é acionada — e pouco mais do que isso. Serviços básicos, como calibragem de pneus ou suporte mecânico inicial, simplesmente não existem.

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As críticas à concessionária não são novas. Motoristas que utilizam a BR-364 com frequência relatam falta de assistência adequada, especialmente em relação ao serviço de guincho, que estaria sujeito a limitações de distância que deixam diversos trechos desassistidos.

Tudo isso contrasta com o peso no bolso de quem passa pela rodovia. Um motorista de carro de passeio chega a desembolsar quase R$ 150,00 em pedágios no trajeto entre Porto Velho e Vilhena. Para veículos de carga, a situação é ainda mais onerosa: carretas podem ultrapassar R$ 1.300,00 por trecho. Desde janeiro de 2026, a cobrança ocorre por meio de sete pontos de sistema free flow (sem cancelas), com valores definidos conforme o número de eixos e o tipo de rodagem.

Diante desse cenário, cresce a insatisfação dos usuários, que se sentem pagando caro por um serviço que, na prática, não oferece o mínimo necessário para garantir segurança e tranquilidade na estrada. O caso do motorista que precisou contar com a própria sorte não é isolado — é apenas mais um retrato de uma concessão que, até agora, parece distante de entregar aquilo que prometeu.

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