A Polícia Civil de Santa Catarina informou que prepara uma operação específica no aeroporto para acompanhar o desembarque de dois adolescentes suspeitos de envolvimento na morte do cão comunitário Orelha, caso que gerou grande comoção em Florianópolis. Os jovens deixaram o Brasil com destino aos Estados Unidos, onde visitaram a Disney, após o episódio de violência contra o animal.
A data exata do retorno ainda não foi divulgada oficialmente, mas a expectativa é de que a chegada aconteça nos próximos dias. O esquema de segurança tem como objetivo garantir o cumprimento dos procedimentos legais e evitar tumultos no local.
O crime passou a ser investigado no dia 16 de janeiro, quando a Polícia Civil foi acionada após moradores da Praia Brava relatarem o desaparecimento do cachorro, conhecido e cuidado há anos pela comunidade. Pouco tempo depois, um dos cuidadores encontrou Orelha gravemente ferido. Apesar do socorro, o animal não resistiu à gravidade das lesões e teve de ser submetido à eutanásia.
A apuração identificou quatro adolescentes como suspeitos de praticar o ato infracional de maus-tratos, com base em registros de câmeras de segurança e relatos de testemunhas. Caso a participação seja confirmada, os envolvidos poderão responder conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê medidas socioeducativas que vão desde advertência e serviços comunitários até liberdade assistida ou, em situações extremas, internação.
Durante o andamento da investigação, um novo fato passou a ser analisado pela polícia. Imagens que circulam nas redes sociais mostram adolescentes tentando afogar um segundo cachorro, conhecido como Caramelo, no mar. O material foi incorporado ao inquérito e está sob análise das autoridades.
De acordo com o delegado Ulisses Gabriel, são investigados dois episódios distintos de maus-tratos: o que resultou na morte de Orelha, cometido com o uso de objeto contundente, e o caso envolvendo o cão Caramelo, registrado em vídeo. “No episódio do Caramelo há imagens claras. No caso do Orelha, não há gravação, mas existem testemunhos e outros elementos probatórios”, explicou.
Agora, a Polícia Civil trabalha para esclarecer se os dois episódios têm ligação entre si e se os mesmos adolescentes estariam envolvidos nas duas ocorrências.


