A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14/1), aumentou o cerco judicial contra o banqueiro Daniel Vorcaro e o esquema investigado no âmbito do Banco Master.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal executou medidas de bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.

Durante o cumprimento dos mandados, policiais apreenderam carros importados, entre eles modelos da BMW e Land Rover, além de armas de fogo com munições e relógios de alto valor.
As ordens judiciais incluem 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, e foram cumpridas em endereços ligados aos investigados em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Defesa de Vorcaro
Em nota, a defesa de Vorcaro “informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa não teve ainda acesso aos autos”.
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais”.
Segundo a Polícia Federal, as medidas têm como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, preservar ativos para eventual ressarcimento aos cofres públicos e aprofundar a coleta de provas.
A investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

Fraudes bilionárias sob apuração
De acordo com a PF, o núcleo investigado teria atuado na emissão e comercialização de títulos de crédito considerados fraudulentos, especialmente Certificados de Depósito Bancário (CDBs), com promessa de rendimentos muito acima dos padrões do mercado, em alguns casos, até 40% superiores à taxa média praticada.
Para os investigadores, esse tipo de oferta indicava risco elevado e possível engodo a investidores, levantando suspeitas sobre a real lastreabilidade dos títulos.
As estimativas preliminares apontam que o volume total das fraudes pode alcançar R$ 12 bilhões.
Banco já havia sido liquidado
A primeira fase da Operação Compliance Zero ocorreu em novembro do ano passado e resultou em sete prisões, sendo cinco preventivas e duas temporárias.
Na ocasião, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, ao concluir que a instituição não possuía condições de cumprir suas obrigações financeiras.
A decisão, no entanto, passou a ser questionada em outras instâncias. O processo de liquidação entrou no radar do Tribunal de Contas da União (TCU), após o relator, ministro Jonathan de Jesus, levantar dúvidas sobre uma possível condução precipitada do encerramento das atividades do banco. O procedimento corre sob sigilo.


