Mundo

Elon Musk: por que a Tesla desistiu de aceitar bitcoins como pagamento por carros

Na manhã da quinta-feira (13/05) , 1 bitcoin valia R$ 263,4 mil. As ações da montadora caíram em torno de 5%.

Por G1

sábado, 15/05/2021 - 16:10 • Atualizado 16:22
Elon Musk: por que a Tesla desistiu de aceitar bitcoins como pagamento por carros

A montadora de veículos elétricos Tesla suspendeu as compras de seus carros com uso da criptomoeda bitcoin por causa de preocupações ambientais.

A cotação do bitcoin caiu mais de 10% depois que o CEO da Tesla, Elon Musk, anunciou a medida. Na manhã da quinta-feira (13/05) , 1 bitcoin valia R$ 263,4 mil. As ações da montadora caíram em torno de 5%.

SAIBA MAIS: Bitcoin desaba após Elon Musk anunciar que Tesla vai suspender vendas com a criptomoeda
“Estamos preocupados com o rápido aumento do uso de combustíveis fósseis para a mineração e as transações de bitcoin, especialmente o carvão, que tem as piores emissões de qualquer combustível”, escreveu Musk. “Criptomoeda é uma boa ideia… Mas isso não pode ter um grande custo para o meio ambiente.”

Em março, quando a criptomoeda passou a ser aceita pela Tesla como forma de pagamento, parte dos investidores e ambientalistas fez duras críticas à decisão.

Musk também afirmou que a empresa não venderá nenhuma parcela do US$ 1,5 bilhão (quase R$ 8 bilhões) em bitcoins que adquiriu em fevereiro deste ano, e que pretende usar esses recursos para transações assim que a mineração de bitcoins passar a usar energia mais sustentável.

Mineração é o nome dado ao processo pelo qual a criptomoeda é gerada a partir de diversos cálculos feitos por computadores verificando transações feitas por pessoas que enviam ou recebem bitcoins.

Esse processo envolve solucionar enigmas, os quais, embora não integralmente validem o ir e vir das criptomoedas, oferecem mais proteção contra fraudes no registro das transações. Como recompensa, os mineradores costumam receber pequenas quantias de bitcoin, no que é muitas vezes comparado a uma loteria.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido afirmam que esses processos consomem cerca de 121,36 terawatt-horas (TWh) por ano, uma quantidade que não tende a cair, a não ser que o valor da criptomoeda despenque.

Vale destacar que um terawatt equivale a 1 bilhão de kilowatts, e esse total é maior do que o consumo inteiro da Argentina, país de 45 milhões de habitantes.

De olho nos investidores

No mês passado, a Tesla anunciou que os lucros no primeiro trimestre do ano foram de US$ 438 milhões (R$ 2,3 bilhões), alta de US$ 16 milhões relação ao ano anterior, impulsionados pelas transações com bitcoins e créditos ambientais.

Para analistas de mercado entrevistados pela BBC, a mudança ocorre como uma tentativa da Tesla de amenizar as preocupações de investidores focados no aquecimento global e na sustentabilidade.

“As questões de governança ambiental, social e corporativa (ESG, na sigla em inglês) são agora uma grande motivação para muitos investidores. A Tesla, sendo uma empresa com foco em energia limpa, parece querer atuar melhor na área ambiental de ESG”, disse Julia Lee, da Burman Invest, à BBC.

“Mas céticos podem dizer que este é apenas mais um movimento de Elon Musk para influenciar o mercado de criptomoedas, como ele fez em tantas outras ocasiões.”

Musk tem sido um dos maiores defensores das criptomoedas, tuitando diversas vezes sobre bitcoins e a outrora obscura moeda digital Dogecoin.

Seus tuítes nos últimos meses ajudaram a transformar as dogecoins, que começaram como uma piada de mídia social, na quarta maior criptomoeda do mundo.

Leia mais sobre: , , ,

Seja o primeiro a colaborar

Deixe seu comentário!

Informe seu nome
Informe seu email