sexta-feira, 16 de outubro de 2026
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Ex-candidato a prefeito e senador: quem é o pastor acusado de crimes sexuais por mais de 10 mulheres em RO

Em 16/10/2026 às 13:26 ⚬ Por G1 RO

Preso e acusado de estupro e violação sexual contra várias mulheres, Aluízio Vidal Flor, de 58 anos, é pastor, psicólogo e ex-candidato a prefeito de Porto Velho e a senador por Rondônia. Ao todo, 12 mulheres procuraram o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) para denunciá-lo.

Segundo a denúncia apresentada pelo MP-RO à Justiça estadual, Aluízio usava sua posição de autoridade como psicólogo e líder religioso para se aproveitar de mulheres que chegavam à clínica fragilizadas por perdas gestacionais, traumas familiares ou crises conjugais.

“Não gritei, não corri e não consegui reagir da maneira como muitas pessoas imaginam que uma vítima deveria reagir. Fiquei em choque, tentando compreender como o homem que deveria cuidar da minha saúde emocional e me orientar espiritualmente podia estar fazendo aquilo comigo”, relata Mirian Rios, a primeira mulher a denunciá-lo.

Formado em psicologia há cerca de 30 anos e ex-professor universitário, Aluízio atuava em dois cenários que se repetem na grande maioria dos relatos das vítimas: o consultório psicológico e os bastidores da Igreja Presbiteriana em Porto Velho, onde era pastor e membro do conselho.

O acusado também tentou construir uma carreira política por vários anos. Em 2006, concorreu pela primeira vez ao cargo de deputado estadual. Nas eleições seguintes, disputou a Prefeitura de Porto Velho uma vez e o Senado Federal em três ocasiões.

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Relatos das vítimas

A iniciativa de Mirian deu início a uma sequência de denúncias que apontam para um padrão de 20 anos de crimes sexuais atribuídos ao pastor. Alguns dos casos ouvidos pelo MP-RO não foram incluídos na denúncia formal porque já estavam prescritos ou porque, na época dos fatos, ainda não existia a tipificação do crime de importunação sexual.

De acordo com as vítimas ouvidas pelo g1, a imagem de autoridade construída pelo acusado gerava o medo de que elas não fossem levadas a sério. Além disso, mulheres que tentaram relatar os abusos dentro da igreja afirmam ter sido silenciadas.

É o caso de Heidy Herrera. Há cerca de 20 anos, quando tinha 20 de idade, ela procurou a liderança da igreja para denunciar que Aluízio a importunava com ligações noturnas, beijos forçados e outros comportamentos inadequados.

“Em resposta, fui informada que o que acontecera comigo foi mal interpretado e o Aluízio disse que eu confundi o sentimento de carinho que ele tinha por mim”, relatou.

Mirian passou por uma situação semelhante ao tentar buscar ajuda na instituição religiosa. Durante um julgamento interno conduzido por um grupo de 13 homens, entre presbíteros e representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil, as denúncias foram descartadas por falta de provas.

“Foi um dos piores dias da minha vida. Em vez de o comportamento denunciado ser colocado no centro do julgamento, fui eu quem passou a ser julgada. No fim, a verdade aceita foi limitada à versão que o próprio acusado escolheu contar. Saí daquele tribunal religioso sentindo que minha dignidade havia sido retirada de mim”, lamenta.

O g1 procurou os responsáveis pela igreja, que optaram por não se pronunciar sobre o caso.

Após a prisão, a defesa de Aluizio Vidal afirmou ao g1 que acreditava que as investigações iriam comprovar a inocência do pastor. Quando ele foi denunciado à Justiça, a reportagem voltou a procurar o advogado, que optou por não se pronunciar sobre o caso.

Denúncia à Justiça

As histórias de Heidy, Mirian e de outras 10 vítimas foram colhidas pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do Ministério Público de Rondônia. Em setembro, o pastor foi denunciado à Justiça com base no primeiro inquérito concluído pela Polícia Civil, que incluiu oito vítimas. Uma segunda investigação está em andamento na Polícia Civil, apurando os relatos de outras quatro mulheres.

O Navit, localizado na sede do MP-RO em Porto Velho, conta com uma estrutura voltada para o acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, com o compromisso de conciliar a apuração dos fatos com a garantia de privacidade das vítimas.

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