quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Dino manda reintegrar chefia da PF após afastamento determinado por Mendonça

Em 09/09/2026 às 14:39 ⚬ Por Lente Nervosa

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) o retorno imediato de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à função de diretor de Inteligência Policial da corporação.

A decisão de Dino reverte o afastamento determinado na terça-feira (8) pelo ministro André Mendonça, que havia retirado os dois delegados de suas funções em meio às investigações relacionadas ao caso Banco Master.

Ao analisar o pedido de reconsideração, Dino afirmou que a controvérsia deve ser levada ao plenário do Supremo. A definição sobre o julgamento colegiado caberá ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Um dos principais argumentos apresentados por Dino foi a falta de legitimidade do Partido Novo para solicitar o afastamento dos integrantes da Polícia Federal. Segundo o ministro, a legenda não integra a ação penal que deu origem ao pedido analisado por Mendonça.

Para Dino, processos criminais estão submetidos a regras específicas e não permitem que partidos políticos atuem como partes para requerer medidas cautelares. Ele ressaltou que o Código de Processo Penal estabelece que pedidos dessa natureza podem ser formulados pela autoridade policial ou pelo Ministério Público.

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O ministro também afirmou que eventuais interesses políticos ou eleitorais podem ser legítimos dentro do ambiente próprio da política, mas não podem alterar as regras que regem um processo penal.

Dino manda reintegrar chefia da PF após afastamento determinado por Mendonça

Investigação e crise no STF

O afastamento dos delegados ocorreu em um momento de crescente tensão envolvendo integrantes do Supremo e a Polícia Federal. A crise está relacionada a informações produzidas pela corporação durante investigações que envolvem o Banco Master.

André Mendonça havia afirmado que teria sido submetido a um suposto monitoramento ilegal e sistemático por parte da Polícia Federal durante mais de 30 dias. Em sua decisão, o ministro também apontou questionamentos sobre a atuação de Andrei Rodrigues.

Segundo Mendonça, pelo menos seis relatórios de inteligência foram produzidos de forma sigilosa entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026.

Entre os elementos que vieram à tona estão mensagens e supostos encontros envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Mensagens do banqueiro também teriam mencionado Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

No decorrer da crise, Mendonça determinou o levantamento do sigilo de um relatório elaborado pela Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, manifestou entendimento pela nulidade dos atos praticados pelo ministro.

Moraes também solicitou a abertura de uma investigação contra Mendonça no âmbito do Inquérito das Fake News.

Dino manda reintegrar chefia da PF após afastamento determinado por Mendonça
Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela

Dino aponta risco para andamento das investigações

Ao determinar a volta dos delegados aos cargos, Flávio Dino considerou que a retirada de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal poderia afetar diretamente o andamento das apurações.

De acordo com o ministro, a mudança na direção da corporação poderia interferir na composição da equipe responsável pelas investigações, dificultar o acesso aos materiais já disponibilizados e provocar atrasos no cumprimento das diligências.

Dino também levou em consideração outro procedimento que tramita no Supremo: o inquérito relacionado ao caso Dark Horse, produção cinematográfica sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pedido apresentado por Andrei Rodrigues para suspender seu afastamento foi protocolado justamente no âmbito dessa investigação, que tem Dino como relator.

A Polícia Federal informou que a decisão de Mendonça poderia impedir o cumprimento de diligências previstas no inquérito. Diante disso, Dino decidiu pela reintegração dos dois delegados até que as medidas investigativas sejam concluídas.

Plenário deverá analisar a controvérsia

Na decisão, Flávio Dino também destacou que Edson Fachin já havia instaurado procedimento para que o plenário do STF analisasse questões relacionadas aos relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal.

Para Dino, esse contexto reforça o entendimento de que a discussão deve ser submetida ao colegiado da Corte, e não decidida individualmente.

Com a nova decisão, Andrei Rodrigues reassume a direção-geral da Polícia Federal, enquanto Leandro Almada da Costa retorna à diretoria de Inteligência Policial. A disputa sobre os atos praticados durante a crise, contudo, ainda deverá ser analisada pelo Supremo.

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