Um casal foi preso após levar uma menina de 3 anos morta e com machucados pelo corpo a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O caso ocorreu em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na manhã dessa terça-feira (17/2).
O avô, responsável legal pela guarda da criança, e a companheira dele foram detidos sob suspeita de tortura.
Segundo o boletim de ocorrência, o avô da menina, identificado como José dos Santos, de 42 anos, levou a pequena Sophia Emanuelly dos Santos à UPA na avenida Treze de Maio, em Ribeirão, alegando que ela estava passando mal e que teria vomitado no caminho até a unidade de saúde.
Criança apresentava sinais de tortura
Um médico pediatra notou imediatamente que a menina já estava morta, inclusive com início de rigidez cadavérica. Ela possuía hematomas por todo o corpo, com características que indicam que os machucados foram causados em diferentes datas.
Sophia também apresentava sinais evidentes de desnutrição, sarcopenia (perda de massa muscular) e baixa densidade capilar.
Os registros da UPA indicaram ainda que a menina não recebia atendimento médico desde 2023, quando tinha cerca de 1 ano de idade. “Ou seja, frente ao estado deplorável os tutores nunca procuraram socorro para ela”, diz o BO.
Uma médica legista foi acionada. A profissional verificou que Sophia tinha marcas e hematomas na região dos olhos e do pescoço, o que indica esganadura. Ela também apresentava rigidez cadavérica por todo o corpo, demonstrando que estava morta entre seis e 12 horas, e que o avô mentiu para a equipe da UPA.
Um raio-X feito na UPA indicou ainda que Sophia possuía uma fratura calcificada na caixa torácica, que protege órgãos vitais como coração, pulmões, fígado e baço. O estado da fratura aponta que ela foi causada há um certo tempo, e já estava cicatrizada.
Em consulta aos vizinhos do apartamento em que a menina vivia, os PMs identificaram que ela não era vista há ao menos um mês. No local, Sophia vivia com o avô e a companheira dele, identificada como Karen Tamires Marques, de 32 anos.
Os dois foram presos “diante das evidências, da situação visivelmente deplorável da criança e principalmente o fato de que os tutores não a socorreram nenhuma vez e não a levaram a uma avaliação em unidade de saúde”, menciona o registro policial.
Dois celulares foram apreendidos com José e um com Karen. O casal deve responder por tortura com resultado morte.



