quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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Cão Orelha: o que a polícia já apurou sobre o crime que comoveu o país

Em 28/01/2026 às 14:56 ⚬ Por Lente Nervosa

O caso envolvendo o cachorro conhecido como Orelha, figura querida por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, causou comoção e indignação em todo o país. O animal, que vivia há cerca de uma década na região e era alimentado e protegido pela comunidade local, foi encontrado gravemente ferido em uma área de vegetação durante a madrugada entre os dias 3 e 4 de janeiro. Socorrido às pressas, ele chegou a receber atendimento veterinário, mas não resistiu à violência sofrida e acabou sendo submetido à eutanásia.

As investigações apontam que o cão foi brutalmente agredido. A Polícia Civil trata o caso como maus-tratos com resultado morte e identificou quatro adolescentes como suspeitos do ataque. Por se tratar de menores de idade, as autoridades não divulgam nomes, imagens ou qualquer informação que possa levar à identificação dos envolvidos, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

No avanço das apurações, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão contra dois adolescentes e um adulto, com o objetivo de reunir novas provas. Paralelamente, um desdobramento da investigação levou ao indiciamento de três homens — dois pais e um tio dos adolescentes suspeitos — por suposta coação de testemunha. Segundo a Polícia Civil, um vigilante de um condomínio da região teria sido ameaçado para não colaborar com as investigações.

A Delegacia de Proteção Animal da Capital informou que mais de 20 pessoas já foram ouvidas, incluindo moradores e responsáveis por condomínios próximos ao local do crime. Já os adolescentes suspeitos estão sendo acompanhados pela Delegacia de Adolescente em Conflito com a Lei, seguindo os trâmites específicos previstos na legislação.

O Ministério Público de Santa Catarina também acompanha o caso e destacou que situações envolvendo adolescentes seguem procedimentos próprios, que priorizam a análise técnica e a aplicação de medidas socioeducativas, sempre respeitando os direitos e garantias legais. Após a conclusão do inquérito policial, o MP poderá solicitar novas diligências, propor medidas alternativas ou encaminhar o caso ao Judiciário para apuração formal do ato infracional.

Em meio à repercussão do crime, o Estado de Santa Catarina sancionou a Lei nº 19.726, que cria a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e do Gato Comunitário. A nova legislação estabelece que animais sem tutor fixo, mas cuidados pela comunidade, devem ser protegidos pelo poder público e pela sociedade, proibindo práticas como maus-tratos, abandono, remoção sem justificativa e qualquer ação que coloque em risco sua integridade.

Como forma de homenagem, a prefeitura de Florianópolis anunciou que o primeiro Hospital Veterinário Municipal da cidade levará o nome de Orelha. A unidade, que será inaugurada nos próximos meses no bairro Itacorubi, funcionará junto à sede da Dibea e oferecerá atendimento veterinário gratuito para animais comunitários, pets de famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, protetores cadastrados, animais de pessoas em situação de rua e cães e gatos adotados por meio do município.

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