O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incluir, neste momento, a vacina contra o herpes-zóster — conhecido popularmente como cobreiro — na rede pública. A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no dia (12) no Diário Oficial da União e envolve o imunizante recombinante adjuvado avaliado para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos.
A deliberação foi tomada após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por examinar dados científicos, segurança, efetividade, impacto financeiro e custo-benefício de novas tecnologias antes de uma eventual oferta à população. Após o processo de análise, o colegiado concluiu que a vacina não atende, nas condições avaliadas, aos critérios necessários para incorporação ao sistema público.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apesar do parecer negativo, o Ministério da Saúde esclareceu que a decisão não é definitiva. O tema poderá voltar à pauta caso novos estudos ou informações relevantes sejam apresentados, capazes de modificar o entendimento atual da comissão.
A vacina contra o herpes-zóster tem como objetivo evitar a reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo causador da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido no organismo e pode se manifestar novamente décadas depois, especialmente em situações de envelhecimento ou baixa imunidade.
A doença é mais comum em pessoas idosas e em pacientes com o sistema imunológico comprometido. Além das erupções cutâneas dolorosas, o quadro pode evoluir para a neuralgia pós-herpética, uma complicação caracterizada por dor intensa e persistente, que pode se prolongar por meses ou até anos.
Estudos também analisam possíveis benefícios adicionais da vacinação, como a redução de episódios repetidos de reativação do vírus ao longo da vida. Ainda assim, esses efeitos indiretos não foram suficientes para alterar a avaliação econômica do imunizante no âmbito do SUS.
Atualmente, a vacina contra o herpes-zóster não faz parte do Programa Nacional de Imunizações e está disponível apenas em clínicas particulares. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a vacinação rotineira a partir dos 60 anos e admite sua aplicação a partir dos 50. Para pessoas imunocomprometidas, a indicação pode ocorrer desde os 18 anos, conforme avaliação médica.
Na rede privada, cada dose custa, em média, entre R$ 900 e R$ 1.200. Como o esquema vacinal exige duas aplicações, o gasto total pode chegar a cerca de R$ 2.400, dependendo da região e do estabelecimento.
De acordo com o Ministério da Saúde, o parecer final da Conitec, emitido em dezembro, reconheceu a relevância clínica da vacina, mas apontou que ela não se mostrou custo-efetiva para o SUS nas indicações analisadas. A estimativa de impacto orçamentário ultrapassaria R$ 5,2 bilhões em um período de cinco anos.
Para efeito de comparação, a Pasta destacou que todos os medicamentos fornecidos pelo Programa Farmácia Popular consumiram R$ 4,2 bilhões no último ano — valor inferior ao custo projetado apenas para a incorporação da vacina contra o herpes-zóster no sistema público.

