sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
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Anvisa aprova medicamento para pacientes com Alzheimer em fase inicial

Em 08/01/2026 às 13:19 ⚬ Por Metrópoles

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no fim de dezembro, um novo medicamento para o tratamento do Alzheimer. O lecanemabe, vendido com o nome comercial de Leqembi pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve e demência leve devido à doença.

Para ser elegível ao tratamento, o paciente deve ter a formação das placas de proteína amiloide no cérebro, uma vez que o medicamento se liga a grandes agregados de proteína beta-amiloide solúvel (protofibrilas) para frear a evolução da doença.

O que é o Alzheimer?

O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas. Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética.

É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil.

O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

O fármaco é um anticorpo monoclonal antiamiloide, que faz parte da nova geração de medicamentos que reduzem a evolução da doença. As fabricantes ainda não anunciaram quando o Leqembi deve chegar ao Brasil.

Testes clínicos com remédio para Alzheimer

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O estudo clínico para testar a segurança e eficácia do medicamento envolveu 1.795 pessoas com Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas beta-amiloides no cérebro.

O Leqembi demonstrou retardar o declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer em estágio inicial, em comparação com o grupo que recebeu o placebo.

A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses, mostrada por meio da escala de avaliação de demência denominada CDR-SB, utilizada para medir a gravidade da doença. A avaliação inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pelo comprometimento cognitivo.

“Os benefícios do Leqembi foram considerados em um subgrupo de pacientes com apenas uma ou nenhuma cópia do gene ApoE4, que são menos propensos a apresentar um evento adverso denominado anormalidades de imagem relacionadas ao amiloide (ARIA)”, informou a Anvisa.

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista.

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce.

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano.

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença.

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Eventos adversos e contraindicações.

O medicamento não é indicado para pessoas com a mutação no gene APOE-e4, que aumenta o risco de Alzheimer e de efeitos colaterais graves após o uso.

Ele também não deve ser usado nos casos em que a ressonância magnética pré-tratamento apresente hemorragia intracerebral prévia; mais de quatro micro-hemorragias; siderose superficial; ou edema vasogênico, sugestivos de angiopatia amiloide cerebral (AAC). O tratamento com lecanemabe também não deve ser iniciado em pacientes que estejam recebendo terapia anticoagulante contínua.

Segundo a Anvisa, as reações adversas mais comuns incluem hemorragia do tipo ARIA-H, que envolve pequenos sangramentos no cérebro, e dor de cabeça, podendo afetar mais de 1 em cada 10 pacientes, e edema, que é o acúmulo de líquido no cérebro.

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