A morte de Tainara Souza Santos, de 30 anos, após quase quatro semanas internada em estado grave, levou as autoridades a alterarem o enquadramento do caso. O homem apontado como responsável, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, agora passa a responder por feminicídio consumado, conforme confirmou a Secretaria da Segurança Pública nesta quinta-feira (25).
Segundo o órgão, a tipificação foi automaticamente atualizada após a confirmação do óbito da vítima. Com a mudança, Douglas poderá enfrentar uma pena significativamente maior, já que o crime de feminicídio consumado prevê punição que pode chegar a 40 anos de reclusão.
A morte de Tainara foi confirmada por familiares por meio das redes sociais e também por um de seus advogados, Fábio Costa, que informou que a causa foi falência múltipla dos órgãos. Desde o ataque, a jovem passou por diversos procedimentos cirúrgicos, incluindo a amputação das duas pernas. Na última segunda-feira (22), ela ainda precisou retirar parte da coxa em uma tentativa médica de reconstrução dos glúteos.

O caso causou forte comoção. Em uma publicação emocionada, a mãe de Tainara lamentou a perda da filha e pediu justiça. “A dor é imensa, mas o sofrimento acabou. Agora, resta lutar para que a justiça seja feita”, escreveu.
O crime ocorreu quando Tainara caminhava pela via pública acompanhada de um amigo e foi atingida por um carro. Câmeras de segurança registraram o momento em que ela é atropelada e arrastada por mais de um quilômetro. Uma amiga de infância da vítima, Letícia Dias, relatou que uma das amputações foi necessária já nas primeiras horas após o acidente, devido à gravidade dos ferimentos. Apesar de um inchaço cerebral identificado posteriormente, exames indicaram que o edema não era considerado grave naquele momento.
Douglas Alves da Silva foi localizado e preso em um hotel na zona leste da capital paulista no dia 30 de novembro, um dia após o ocorrido. Durante o interrogatório, ele declarou arrependimento e afirmou não conhecer Tainara. Disse ainda que havia passado a noite em um bar, onde se envolveu em uma briga ao tentar defender um amigo. Segundo seu relato, após a confusão, deixou o local de carro e, ao tentar ir embora, acabou atingindo a vítima, alegando não ter percebido que ela estava sendo arrastada pelo veículo.
Ainda conforme o depoimento, ele afirmou que seguiu dirigindo mesmo após perceber falhas no carro e gestos de alerta feitos por pessoas na rua. Somente ao parar em um posto de combustível, metros adiante, a vítima teria se desprendido do automóvel. Douglas disse que fugiu por medo de represálias.
Após o episódio, ele teria informado familiares sobre o ocorrido e conversado com um advogado, que orientou que o carro fosse mantido afastado até ser entregue às autoridades. O veículo acabou sendo deixado na casa de um ex-sogro. Em seguida, Douglas se hospedou em um hotel, onde foi encontrado e preso. Durante a abordagem policial, ainda tentou reagir e acabou sendo baleado no braço.


