Um grave acidente aeronáutico registrado na noite de domingo (22) acendeu o alerta para falhas operacionais no sistema de aviação dos Estados Unidos. Um avião da companhia Air Canada colidiu com um caminhão do Corpo de Bombeiros durante o deslocamento na pista do Aeroporto LaGuardia, em Nova York. A tragédia resultou na morte dos dois pilotos da aeronave.
O voo 8646 havia partido de Montreal e já estava em solo quando o acidente ocorreu. A aeronave taxiava a cerca de 40 km/h no momento em que um veículo de emergência, que atendia outra ocorrência no aeroporto, atravessou a pista e acabou atingido.
Registros de áudio da torre de controle revelam momentos de tensão antes da colisão. Os bombeiros solicitaram autorização para cruzar a pista, que foi concedida. No entanto, poucos segundos depois, o controlador tentou cancelar a manobra e ordenou a parada do caminhão. Um alarme é ouvido na gravação, seguido pela constatação de que não houve tempo suficiente para evitar o impacto. O próprio controlador relatou que, naquele momento, lidava com outra situação emergencial.
A aeronave, operada pela Jazz Aviation, transportava 72 passageiros e quatro tripulantes. Além das duas mortes confirmadas, mais de 40 pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade.
As causas do acidente ainda estão sendo apuradas pelas autoridades aeronáuticas. A Federal Aviation Administration já reconheceu um cenário preocupante: o país enfrenta um déficit superior a 3 mil controladores de voo, o que pode impactar diretamente a segurança das operações.
Durante coletiva, o secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que o aeroporto de LaGuardia possui atualmente 37 posições para controladores, sendo que quatro estão vagas. Segundo ele, há profissionais em treinamento, mas o sistema ainda opera sob pressão.
O acidente ocorre em meio a um período turbulento para a aviação americana. Um impasse no Congresso sobre o orçamento destinado a agentes de imigração tem provocado consequências em cadeia nos aeroportos. Sem remuneração há mais de um mês, cerca de 400 funcionários responsáveis pela checagem de documentos e inspeção de segurança deixaram seus cargos. O resultado já é sentido pelos passageiros: filas extensas, atrasos generalizados e um sistema cada vez mais sobrecarregado.



