Problemas de visão graves costumam ser associados ao envelhecimento. O glaucoma, por exemplo, é uma doença crônica que na maioria das vezes aparece após os 40 anos.
No caso da arquiteta Juliana Oliveira Moura, 30, o diagnóstico veio muito antes. Ela descobriu a doença aos 27 e acabou perdendo grande parte da visão de um dos olhos.
Até então, a jovem nunca havia tido problemas oculares. “Quando eu era mais nova sempre me falavam que eu não precisava usar óculos, que minha visão era muito boa e que não tinha nenhum indicativo de problema”, relata.
Em 2022, no entanto, ela começou a notar um incômodo na visão. Ao assistir televisão, as legendas começaram a parecer embaçadas. Mesmo assim, não deu muita importância.
“Eu achava que era apenas grau. Como um olho compensava o outro, fui deixando para lá e não procurei médico”, lembra.
Os sintomas continuaram por alguns meses. Pouco antes de uma viagem internacional, porém, um episódio a assustou.
Durante um procedimento estético, sua visão ficou completamente branca por alguns minutos. O episódio passou, mas foi suficiente para que ela decidisse procurar ajuda médica.
“O meu namorado insistiu para eu marcar um oftalmologista antes de viajar. Foi o que acabou me salvando”, conta.
Diagnóstico durante consulta de rotina
Na consulta, o exame que mede a pressão dentro do olho chamou a atenção da médica. “Eu nem sabia que existia pressão ocular. Quando ela mediu, estava em 40, muito acima do normal”, conta Juliana.
A partir daquele momento, ela foi encaminhada rapidamente para outros especialistas. Em poucos dias, passou por várias avaliações e recebeu o diagnóstico de glaucoma.
Os exames mostraram que a doença já havia provocado uma perda significativa da visão. “Quando fiz os exames descobri que já tinha perdido cerca de 70% da visão do olho esquerdo”, relata.
Como parte do tratamento, Juliana precisou passar por uma cirurgia de urgência conhecida como trabeculectomia, procedimento usado para reduzir a pressão ocular.
Algum tempo depois, a arquiteta também precisou fazer uma cirurgia de catarata, consequência do primeiro procedimento.
Mudanças na rotina
Desde então, o controle da doença passou a fazer parte da rotina diária. Juliana precisa usar colírios todos os dias, de manhã e à noite, para controlar a pressão ocular. Ela passou a ter glaucoma nos dois olhos, o que exige ainda mais cuidados.
“Eu preciso usar os colírios religiosamente a cada 12 horas. Esquecer não é uma opção”, afirma.
A doença também trouxe mudanças em hábitos do dia a dia. Na época do diagnóstico, Juliana praticava crossfit e precisou adaptar os treinos. Exercícios que exigem ficar de cabeça para baixo ou prender a respiração, por exemplo, passaram a ser evitados.
Ela mudou alguns cuidados cotidianos. Hoje evita coçar os olhos, usa colírios lubrificantes quando sente irritação e tem mais atenção aos produtos que utiliza no rosto, preferindo maquiagens testadas oftalmologicamente.
Outra mudança foi até na forma de dormir. “Hoje eu durmo de barriga para cima ou de lado. Dormir pressionando os olhos não é mais uma opção”, explica.
O que é o glaucoma?
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por levar as informações visuais do olho até o cérebro. Quando esse nervo sofre danos, a visão pode ser comprometida de forma progressiva e, em muitos casos, irreversível.
Segundo o oftalmologista Juscelino Kubitschek, do CBV Hospital de Olhos, o problema costuma se desenvolver de maneira silenciosa.
“O glaucoma é uma enfermidade do nervo óptico, que é o cabo que liga o olho ao cérebro. Na maioria das vezes ele não apresenta sintomas no início”, explica.
Por isso, muitas pessoas só descobrem a doença quando a perda de visão já começou. De acordo com o especialista, a condição ainda é a principal causa de perda irreversível da visão no mundo. “Estima-se que entre 90 e 100 milhões de pessoas convivam com a doença globalmente”, afirma.
No dia 12 de março é celebrado o Dia Mundial do Glaucoma, data criada para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular com o oftalmologista.
Segundo o médico, consultas periódicas e a medição da pressão ocular são fundamentais para identificar alterações no nervo óptico e iniciar o tratamento o quanto antes.
“Quando o glaucoma é detectado precocemente, temos várias formas de tratamento, que vão desde colírios até procedimentos a laser e cirurgias capazes de controlar a pressão do olho e evitar que a doença avance”, explica.
Hoje, mesmo convivendo com a perda parcial da visão, Juliana diz que aprendeu a lidar com a condição e passou a priorizar os cuidados com a saúde dos olhos. “A descoberta é muito difícil, mas a gente precisa aprender a viver com isso e cuidar da visão que ainda tem”, afirma.



