quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
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Netflix muda planos e deve fazer oferta 100% em dinheiro pela Warner

Em 14/01/2026 às 15:19 ⚬ Por Metrópoles

Em uma mudança de planos inesperada pelo mercado, a Netflix, gigante norte-americana do streaming, vem estudando a possibilidade de revisar os termos do acordo firmado com a Warner Bros. Discovery no fim do ano passado e apresentar uma oferta 100% em dinheiro pela compra da companhia.

Segundo informações da Bloomberg, que teve acesso a pessoas próximas à negociação, a alteração tem o objetivo de acelerar o processo de venda – que deve levar meses para ser concluído e ainda depende de uma série de aprovações de órgãos regulatórios nos Estados Unidos.

Pelo acordo original, os acionistas da Warner Bros. Discovery – dona de HBO, CNN e do estúdio de cinema Warner Bros. – receberiam US$ 23,25 em dinheiro e US$ 4,50 em ações ordinárias da Netflix. Haveria ainda alguns ajustes previstos caso os papéis da empresa recuassem abaixo de US$ 97,91.

Desde que a Netflix demonstrou publicamente seu interesse na compra da Warner, as ações da companhia perderam cerca de um quarto de seu valor. Na terça-feira (13/1), os papéis chegaram a ser negociados a US$ 89,07 na Bolsa de Valores de Nova York.

No fechamento do pregão, as ações da Warner avançaram 1,6%, cotadas a US$ 28,86. Os papéis da Netflix, por sua vez, caíram 1%, para US$ 90,32.

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Favorita a assumir o controle da Warner, a Netflix havia decidido refinanciar parte de um “empréstimo-ponte” de US$ 59 bilhões.

O refinanciamento foi feito com uma dívida mais barata e de prazo mais longo. Com a medida, a Netflix, na prática, fortaleceu o pacote financeiro que sustenta sua proposta formal de compra da Warner.

O gigante global do streaming obteve uma linha de crédito rotativo de US$ 5 bilhões (R$ 27,5 bilhões) e dois empréstimos a prazo para refinanciar parte do empréstimo contratado para a oferta pela Warner.

Em linhas gerais, o empréstimo-ponte é um financiamento de curto prazo utilizado para suprir necessidades imediatas de caixa enquanto se aguarda um financiamento permanente ou a venda de um ativo.

Muito comum no mercado imobiliário e corporativo, ele oferece rapidez na liberação de recursos, mas costuma ter juros mais altos e exige garantias. Funciona como uma “ponte” para cobrir despesas críticas até a entrada de capital definitivo, com prazos que variam, normalmente, de 1 a 18 meses.

Entre os bancos envolvidos no empréstimo-ponte para a Netflix, estariam Wells Fargo, BNP Paribas e HSBC – algumas das principais instituições financeiras do mundo.

A dívida vence em intervalos escalonados. Caso a aquisição da Warner avance, a linha de crédito rotativo, que permite empréstimos e pagamentos flexíveis, vencerá em 2030 ou três anos após a conclusão do negócio – o que acontecer primeiro. Os empréstimos a prazo com saque diferido vencerão em dois e três anos, respectivamente.

Netflix anunciou a compra da Warner em dezembro

Em dezembro do ano passado, a Netflix anunciou que levou a melhor na disputa e concordou em adquirir os estúdios de TV e cinema e a divisão de streaming da Warner por valores que variam entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 381,2 milhões) e US$ 83 bilhões (R$ 438 bilhões).

A proposta da Netflix foi de algo entre US$ 28 e US$ 30 por ação, quase todo o valor em dinheiro, além de uma multa de US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado pelos órgãos reguladores. Esse pacote acabou superando ofertas de grupos como Paramount Skydance e Comcast, que queriam apenas partes da companhia.

O acordo dará à Netflix o controle de um dos ativos mais antigos e valiosos de Hollywood. A plataforma aumentará significativamente sua capacidade de produção de conteúdo e terá acesso ao vasto acervo de filmes do estúdio e a franquias icônicas, como Harry Potter e Senhor dos Anéis.

Em carta à Warner, a Paramount contestou o processo de negociação para a venda da companhia e alegou que a empresa teria abandonado um modelo justo de licitação e declarado a Netflix como vencedora, sem critérios justos e transparentes.

A compra da Warner pela Netflix vem causando preocupação em setores do mercado. Os investidores questionam a capacidade da rede de streaming de administrar uma empresa tão grande.

Além disso, o negócio também deve enfrentar obstáculos na legislação antitruste tanto nos EUA quanto na Europa. A transação dá à Netflix a propriedade de um concorrente que conta com a HBO Max e possui quase 130 milhões de assinantes. O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, já criticou a operação.

Paramount processa Warner

No início da semana, depois de ter sua última proposta de compra recusada pela Warner Bros. Discovery, a Paramount Skydance foi à Justiça contra a empresa e exigiu a apresentação dos detalhes do acordo firmado entre a companhia e a Netflix.

A ação da Paramount contra a Warner foi apresentada em um tribunal do estado de Delaware, nos Estados Unidos.

Além da medida judicial, a Paramount encaminhou uma carta aos acionistas da Warner e reafirmou sua oferta de US$ 30 por ação. A empresa conclamou os investidores a entregarem suas ações.

“A Warner deixou de incluir qualquer divulgação sobre como avaliou a participação remanescente da Global Networks, como avaliou a transação geral com a Netflix, como funciona a redução do preço de compra por conta da dívida na transação com a Netflix, ou mesmo qual é a base para seu ‘ajuste de risco’ em relação à nossa oferta integral em dinheiro de US$ 30 por ação”, afirmou o CEO da Paramount, David Ellison, no documento aos acionistas.

Dias antes, o Conselho de Administração da Warner Bros. Discovery rejeitou uma nova proposta de compra apresentada pela Paramount. De acordo com a Warner, a recusa do colegiado a mais uma investida da Paramount se deu por unanimidade. A mais recente oferta era de US$ 108,4 bilhões.

Segundo a companhia, a oferta da Paramount não se mostrou uma “proposta superior” à da Netflix, que já havia anunciado, no início de dezembro, um acordo bilionário para comprar a Warner.

Com a decisão, o Conselho de Administração da Warner recomendou, mais uma vez, que os acionistas da empresa rejeitem a proposta da Paramount, encerrando uma novela que vem se arrastando por alguns meses.

Em nota, o presidente do Conselho de Administração da Warner, Samuel A. Di Piazza Jr., afirmou que a oferta da Paramount é de “valor insuficiente” e envolve “riscos elevados” para a companhia, especialmente porque depende de um grande volume de financiamento por dívida.

“Isso aumenta os riscos de conclusão do negócio e reduz as garantias aos acionistas caso a transação não se concretize. Já o acordo vinculativo com a Netflix oferece mais valor e previsibilidade, sem os riscos e custos relevantes que a proposta da Paramount imporia aos investidores”, disse o presidente do conselho, na ocasião.

Ainda segundo o colegiado, caso a proposta da Paramount fosse aceita, a empresa ficaria com uma dívida estimada em US$ 87 bilhões (R$ 467,9 bilhões) após a conclusão do negócio e teria, então, de levantar um volume de recursos muito grande, aumentando significativamente os riscos da operação.

A Warner Bros. Discovery é uma multinacional de mídia e um conglomerado de entretenimento. A empresa foi formada por meio da fusão entre a WarnerMedia e a Discovery Inc., concluída em abril de 2022.

A Paramount Skydance é uma empresa formada a partir da fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, concluída em agosto deste ano.

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